5 dicas para empresas varejistas se protegerem da oscilação do dólar

Depois de ter chegado a custar quase R$6 em março, o dólar passou por um período de baixa em junho, com um valor de pouco menos de R$5, e voltou a aumentar em julho, custando uma média de R$5,20. E ainda que especialistas do BTG Pactual prevejam um segundo semestre otimista, com baixa para R$4,90, a expectativa para 2022 é de que a moeda chegue novamente ao patamar de R$5,20. Esse cenário de variações, incertezas e instabilidades pode ser extremamente perigoso para a saúde financeira das empresas varejistas, e é preciso ter uma atenção redobrada no momento.

Sem uma boa gestão do negócio, os efeitos da alta do dólar podem acabar causando prejuízos em cadeia, em uma verdadeira bola de neve. Os problemas começam na supply chain, com os custos da aquisição de materiais e produtos, além dos fretes e tributações, que ficam todos mais altos. Com isso, é preciso aumentar o valor da venda da mercadoria ao cliente, para não perder a margem de lucro – o que acaba diminuindo a competitividade do negócio. 

Se o caixa da empresa também não estiver bem preparado para as variações do dólar, muitas vezes a companhia não tem outra opção a não ser recorrer ao capital de giro com instituições financeiras, o que gera outro problema: o endividamento em moeda estrangeira. E como boa parte dos negócios brasileiros não têm receita em dólar, as dívidas acabam tendo um aumento significativo, comprometendo a saúde financeira da empresa.

Mas como se preparar para esse cenário complexo de câmbio flutuante? Não é um trabalho fácil, mas algumas ações podem ajudar a trabalhar com um pouco mais de previsibilidade e com eficiência para evitar prejuízos. Confira 5 dicas que Diogo Zanis, nosso Analista de Negócios, separou:

 

1 – Utilize uma estratégia de hedge

O hedge é, basicamente, uma forma de se proteger das variações de câmbio no mercado. Existem algumas maneiras de fazer essa operação, que dependem bastante do setor no qual a empresa atua, mas, em linhas gerais, é uma estratégia bastante indicada para quem faz transações em moeda estrangeira. Uma das formas mais comuns é investir no mercado futuro, comprando contratos de dólar para uma data posterior a um preço fixo. Assim, mesmo que a cotação mude, aquele valor já está garantido, protegendo a empresa de uma possível alta. Para as organizações que têm dívidas na moeda americana, essa é uma estratégia importantíssima, já que o custo do compromisso acaba aumentando conforme o valor dela sobe. Outra possibilidade é investir na compra de dólar quando a moeda estiver em baixa.

 

2 – Tenha um planejamento integrado entre equipes

É fundamental que os times de estoque, financeiro e vendas trabalhem em conjunto. Isso porque o setor de estoque necessita das informações de vendas de forma rápida e precisa para ter os produtos disponíveis quando o cliente fizer a compra. Do outro lado, o financeiro também precisa alinhar o momento de adquirir materiais para garantir o melhor preço do dólar. Se esse timing for perdido e o valor estiver alto demais para empresa, vai ser preciso fazer algumas renegociações com fornecedores, para esperar um momento mais favorável do câmbio, e priorizar apenas os produtos mais urgentes e/ou mais importantes para o consumidor. Por isso é importante que os três setores trabalhem de forma integrada, sempre equilibrando as negociações.

 

3 – Faça reposições de produtos para ciclos maiores

Se a tendência do dólar é de alta, é importante buscar um momento de baixa para fazer uma composição do estoque para um ciclo maior, evitando as variações do câmbio. Nesse momento é necessário buscar um equilíbrio entre o nível de serviço aceitável (que é o índice de perda de vendas por falta de produtos em estoque), o custo total de estocagem (as despesas de armazenagem e de capital investido que fica parado) e os custos cambiais. Tudo isso também precisa ser levado em consideração no markup (o índice de custo e margem de lucro do produto), porque se o estoque depende do valor do dólar, o preço para o consumidor final também vai aumentar. Isso acontece porque, se não existir esse aumento, a empresa pode ter que acabar recorrendo ao capital de giro, e esse custo vai acabar sendo maior do que a perda de algumas vendas.

 

4 – Equilibre a cadeia de abastecimento entre fornecimento nacional e exterior

No varejo, é imprescindível estar preparado para os mais diversos cenários e saber se ajustar a eles. Por exemplo: muitas empresas brasileiras têm a cadeia de fornecimento centralizada no exterior (principalmente na China) pelo custo mais competitivo, e acabam deixando a indústria nacional “de lado”. Com a pandemia e a consequente disparada do dólar, os varejistas passaram a focar em fornecedores internos. Mas o ideal é sempre ter essa relação bem equilibrada, já que agora a moeda está em uma tendência de queda e volta a ser mais interessante comprar das empresas no exterior. Então ao invés de tentar apenas prever o dólar e ganhar com isso, é importante pensar nos dois cenários e manter a cadeia bem balanceada.

 

5 – Invista em um bom ERP

Por fim, quem tem um software que integra todas as informações da empresa de forma rápida, precisa e em real time consegue se preparar melhor para as negociações. Isso porque com o ERP é possível acompanhar as vendas e o faturamento da empresa (entendendo o momento certo para pegar capital de giro, por exemplo), além de todos os detalhes de balanço e estoque. Assim os gestores da organização conseguem ter uma visão muito mais ampla e com previsibilidade do negócio, ajudando a ter um planejamento mais sólido e evitando ser pego de surpresa por cenários de mudanças.

 

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